Pra ser lembrado

02/06/2015

Dr. Sócrates

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Escrito por: Pablo
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Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira nascido em Belém em 19 de fevereiro de 1954, ficou conhecido como Sócrates, Dr. SócratesDr. ou simplesmente Magrão.

Considerado um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, foi revelado pelo Botafogo da cidade de Ribeirão Preto, onde ainda muito jovem, já mostrava enorme talento para o futebol e também fora de campo, já que cursava faculdade de medicina, que o fazia dividir seu tempo entre o futebol e os estudos, impossibilitando o treinamento por diversas vezes. No ano de 1977 o Botafogo Futebol Clube contratou o treinador Jorge Vieira, que chegou ao clube dando o recado: “jogador que não treina, não joga”, Sócrates achou que não jogaria mais futebol, porém Jorge Vieira, reconhecendo o talento de Sócrates, deu tratamento diferenciado ao jogador.

Jogador espetacular no time do interior, depois de 4 anos no Botafogo SP e após concluir a faculdade de medicina, Sócrates foi contratado pelo Corinthians, onde reencontrou seu antigo parceiro, Geraldão, que havia se transferido para o Corinthians em 1975.

eu quero votar para presidente

Sócrates foi peça fundamental na implementação da Democracia Corinthiana. A Democracia Corinthiana foi um movimento ocorrido no futebol brasileiro, na década de 1980. O período de duração desse movimento foi de dois anos (entre 1982 e 1984). Se por um lado parece um longo período para que um grande clube atuasse sem poder centralizado; por outro lado foram apenas dois anos que marcaram toda a história do futebol brasileiro, e provavelmente, mundial.

Mas quais são as características, de fato, da Democracia Corinthiana? Em primeiro lugar, para responder a essa questão é necessário levar em conta o momento histórico que o Brasil vivia: era época de ditadura, o que significava que as pessoas não tinham direito à escolha de seus representantes políticos. Ou, em outras palavras, o voto era inexistente. Embebido nesse contexto, o movimento consistia na ideia de que todas as decisões tomadas pelo clube, na área de futebol, deveriam ser votadas antes, de modo que todos os participantes, dirigentes, atletas ou equipe de apoio, tinham direito a um (1) voto. Talvez esse fato não soe atualmente com a significância que tinha naquela época: roupeiro e diretor de futebol tinham a mesma importância na Democracia Corinthiana, suas opiniões tinham o mesmo valor decisório.

Tudo isso começou com o Corinthians atravessando uma péssima fase nos Campeonatos Paulista e Brasileiro. Na época, ano de 1982, acabava a gestão da presidência do clube de Vicente Matheus, e quem assumiu o cargo foi Waldemar Pires. O novo presidente, por sua vez, colocou como gestor de futebol do clube o sociólogo Adílson Monteiro Alves, que costumava ouvir as opiniões dos jogadores sobre os mais diversos assuntos relacionados ao futebol. Essa foi a alavanca para que a Democracia Corinthiana entrasse em ação.

O movimento foi fortalecido por dois jogadores altamente politizados, Sócrates e Wladimir, cuja influência acabou se estendendo por todo o time. Nesse sentido, envolvido na experiência de igualdade de opiniões, o Corinthians representava uma força política bastante intensa em momento de ditadura. Logo, assessorados na parte de marketing pelo famoso publicitário corinthiano Washington Olivetto – que, aliás, criou o termo Democracia Corinthiana –, os jogadores vestiam camisas por baixo da camisa oficial de competição com dizeres contrários à política da época: “eu quero votar para presidente” e “diretas já” eram alguns dos dizeres que se tornaram campanha do time corinthiano de futebol, e que logo foi assumida pelas torcidas organizadas do clube.

“Nós começamos a discutir as coisas e criamos uma atmosfera verdadeira de convivência. Cada um de nós dava sua opinião e expressava os sentimentos.   Basicamente, nosso objetivo era democratizar nossa opinião. Nosso grupo trabalhava no mundo do futebol e resolveu votar tudo. Tudo tinha que ser decidido. Compare isso com o que acontece na sociedade. Você tem vários casais infelizes e coloca entre eles um casal apaixonado. Isso contamina o grupo todo. E era isso o que acontecia conosco”, afirmou Sócrates.

O resultado do movimento foi o primeiro lugar no Campeonato Paulista de 1982 e 1983, além de chegar às semifinais do Campeonato Brasileiro, sem mencionar a quitação das dívidas que o clube acarretava. No entanto, em 1984 começava a se montar o clube dos 13, cuja ausência do papel do presidente se colocava como impedimento para as disputas dos torneios oficiais. Além disso, novos modelos gestores, a exemplo dos modelos europeus, estavam entrando nos clubes brasileiros, contribuindo para o esfacelamento da Democracia Corinthiana. Apostando na retomada da democracia no restante do Brasil, Sócrates fez uma promessa: deixaria o país se a população não votasse a favor das eleições diretas. Perdeu e, a contragosto, partiu ao futebol italiano para defender a Fiorentina. Deixou para trás a Fiel, o Corinthians e o exemplo dado pela Democracia Corinthiana.

Eu preciso de liberdade, estou sempre criando alguma coisa. Um dia, talvez, se eu tiver saúde, ainda vou ser médico na praça

Em 1984, foi jogar na Fiorentina, da Itália, mas não se adaptou ao Campeonato Italiano e ainda teve problemas com os colegas – suspeitava que outros jogadores manipulassem resultados, e por isso não conseguiu estabelecer a mesma liderança e influência que costumava exercer em cada equipe que defendia. Sua passagem pela Europa durou apenas uma temporada. Voltou ao Brasil em 1985, quando jogou pelo Flamengo. Em seguida, foi vestir a camisa do Santos. Sua última agremiação foi também a primeira – o retorno ao Botafogo de Ribeirão Preto marcou a última fase da carreira, encerrada em 1989. Desde então, conciliava a função de comentarista com o trabalho como médico – profissão em que dizia se destacar por causa da capacidade de fazer diagnósticos precisos. Em entrevista concedida ao portal UOL depois de uma de suas internações neste ano, afirmou: “Sou um médico de telefone, um plantonista eterno. Eu só não estou com consultório. Eu preciso de liberdade, estou sempre criando alguma coisa. Um dia, talvez, se eu tiver saúde, ainda vou ser médico na praça. Se estiver aposentado das minhas guerras, farei isso. Vou ficar lá atendendo quem quiser”.

Quero morrer em um domingo, com o Corinthians campeão

Essa frase foi dita por Sócrates muitos anos antes do falecimento. Porém, no dia 04 de dezembro, a Fiel acordou com a notícia da perda do ídolo. Como previsto pelo “Doutor”, o Corinthians empatou com o Palmeiras no Pacaembu e conquistou o pentacampeonato brasileiro.

Diante de tudo isso, mesmo alguns dizendo que em sua infância, o Doutor teria torcido para outro time, temos a certeza, de que o Doutor Sócrates, tinha uma Alma Corinthiana.

Obrigado por tudo Doutor!

 

 



Sobre o Autor

Pablo
Coordenador de Suporte, Governador da República Popular do Corinthians e Louco pelo Timão!




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